Um grupo de pessoas, sentadas um dia à beira rio, começaram a falar umas com as outras. Havia sonhos e metas para cumprir, enquanto a água passava à frente delas e ou outro peixe saltava, indiferente. Todas juntas começaram a unir ideias que até ali eram distantes, cosendo uma rede com que podiam ir pescar os peixes que eram os sonhos e as metas que iam transportadas na corrente, à espera de serem pescados na teia conjunta.
Eram pessoas sem nada de especial, como qualquer um de nós: um cidadão comum deste mundo à espera de arrumação. Éramos nós que ali estávamos e aquele era o nosso mundo, não o "deles". Era o nosso mundo, à nossa frente e em construção. Então pegámos nesta casa antiga, a precisar evidentemente de obras, e não a deixámos cair. Pusemos o nosso ânimo lá dentro e a casa foi ficando como nova, porque todas as coisas não precisavam senão de ser "animadas".
O rio, tal como nós, renovava-se. Nunca nenhuma gota de água tinha ali passado duas vezes e, embora nesse tempo muitos anunciassem o fim da história, tal como o rio a vida não parecia ter fim, era apenas uma corrente interminável.
Era uma coisa engraçada ver que as pessoas construíam a sua rede de linhas de solidez e organização, pespontando o tecido social. E de repente davam-se conta de uma certa alegria perdida e reencontrada e que era: o levantamento de uma obra comum. Já não estavam uma para cada lado, para variar.
Era a Casa Do Rio, cuja história recomeçou naquele dia em que se sentaram as pessoas na margem para falar umas com as outras, enquanto os peixes-sonho passavam na corrente e de vez em quando saltavam, indiferentes, à espera da teia comum que os viesse apanhar.
